quarta-feira, 11 de junho de 2008

cotidiano

É horrível sentir-se impossibilitado de controlar o tempo e consequentemente, controlar a vida. Vida que deveria ganhar aspas, não fosse a esperança de buscar dias menos conturbados e confusos. Mas isso não sou eu, isso é o cotidiano, isso é o asqueroso dia-a-dia. Mantenho-me longe, fico feliz.


Da Observação

Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…

Mário Quintana

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Língua Portuguesa

Olá! Vou postar hoje um texto que não é meu, eu achei por aí.. não lembro mais.
Enfim, é super rico em linguagem portuguesa. Achei ótimo. Tchau ;]


Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois gêneros. Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular. Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus! Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.

Só que, as condições eram estas: Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."

Fernanda Braga da Cruz.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

"Comprar por comprar"


Apesar do Seo Madruga ter nos dado a dica, ou melhor, para a sua filha Chiquinha, muitos de nós não aprendemos o que significa "comprar por comprar". Mesmo que nossos pais também em algum momento possam ter dado a "dica" (mesmo soando como advertência ou proibição.[são pais né?!]), continuamos à comprar e a comprar sem saber o significado.

O significado, pra que vai nos sevir, quanto custa de verdade? Essas coisas não são ditas. Propaganda não tem esse papel, propaganda é somente pra vender. - "Ok ok, mas alguém precisa nos mostrar os produtos, para termos o que escolher". Sim, verdade, mas supostamente, se vamos comprar um produto é porque necessitamos dele para algo. Mas... engraçado, você já se deu conta que as mesmas empresas, governos, pessoas, fábricas, etc, que estão vendendo o produto são os mesmos que em algum ponto criaram a necessidade?

E aí eu pergunto, e também me pergunto. Será que não podemos definir por nós mesmos o que necessitamos? Será mesmo tão dificil enxergar de outra forma? Quero dizer, prateleiras podem ser chamativas, limpas e cheirosas, mas você vê pessoas vivendo do seu lixo. Ou seja, todas essas embalagens não são assim tão reais, algo não está certo.

Eu sei que nascemos no meio de outdoors, mergulhados em promoções. Por pouco não nascemos em 12x sem juros com garantia de devolução do pagamento se o produto não fosse o esperado. Mas já que nascemos, podemos pensar como seres humanos sim, e não como "cliente potencial para venda".

Usando Fugazi, talvez fique mais fácil e claro. "Nevermind what´s been selling, it´s what you´re buying". Esqueça o que está sendo vendido, é o que você compra, isso que importa. Se existe felicidade na futilidade, somos fúteis. Esse é o círculo. Mas não precisamos nos manter inseridos nele.

*na foto, a galinha compra na promoção "compre 1 par, leve 2". (retirado daqui: www.cartoonstock.com)

*diálogo chaves:
Chiquinha: - "Pai, me dá dinheiro para eu ir na venda?"
Seo Madruga: - "O que você precisa de lá?"
Chiquinha: - "Eu preciso ir lá pra ver o que eu preciso".
Seo Madruga: "Não minha filha, isso se chama comprar por comprar".

domingo, 16 de março de 2008

pensar em vida

Nós, humanos, vivemos rodeados por outras criaturas aparentemente também humanas. Essa quantidade e aproximação cria tantas coisas inexplicáveis, que seria injusto pedir pra um humano citá-las em vida.

Agora e nas ultimas 30 horas, passo por experiências de pensamentos "inéditos". O que ocasionou foi uma coisa simples, mas funcional. Explico. Alguém abriu a porta de um carro exatamente no momento em que eu passava ali de bicicleta, a porta bateu na minha canela, quebrou o pedal da bicicleta, a bicicleta descontrolou-se e eu achei que eu ia cair de cabeça no chão mas, não sei que movimento estranho fiz que consegui evitar isso e o tombo não foi nada grave. Enfim, minha perna tá ruim, não to podendo andar direito e isso, eu considero no mínimo, chato.

O que eu não consigo classificar com um adjetivo comum é a maneira e a quantidade de pensamentos que tive sobre vida, viver, morrer, sei lá. Assim, antes de tudo, está claro pra mim que não tive nenhuma experiência de "quase morte" ou qualquer outro nome que deêm pra isso. O drama já está explicito em viver, não é necessário nenhum acontecimento extra pra se dizer que "quase morri", ou em outras palavras, melhor cortar o drama, já passou. De qualquer forma, em menos de um segundo, naquela situação, passou muita coisa na minha cabeça; fica a leve impressão de que aquele vazio de coisas aleatórias se fazendo presente como observar um formigueiro é a grande questão de se pensar em vida na morte.

Ou seja, nós não sabemos o que é. E isso faz de nós seres rodeados e solitários.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

contradição ambulante

Ainda não alcancei um 'equilibrio' que me desse a oportunidade de me manter por muito tempo sem o questionamento que vem à minha cabeça."Eu faço sentido?", ou simplesmente vivo como um monte.

Meu gosto é apurado e é transitório. Onde eu me encaixo assim? Se eu não acredito que eu possa gostar de verdade de qualquer coisa, ou de qualquer situação que eu possa viver?
Quando não me desfaço de um luxo, perco coisas. Quando me desfaço, não me sinto preparado. Não sei onde posso mais ganhar, não sei mais onde posso ficar. As descobertas se fazem num plano inatingível, minhas misturas químicas criam um campo que me impede de sair e ver.

"Ele não sabe o que quer da vida!", pra quem me conheceu tão bem, isso deveria soar mais suave. Ainda respondo minhas perguntas, sei de quase tudo num dia bom. Mas só isso não basta, isso não me faz feliz. Na verdade, não é questão de procura, é questão de saber e continuar andando em todas as direções, como se estivesse parado.

*só um dia ruim.
;]

domingo, 13 de janeiro de 2008

mais um canal, menos um indivíduo.



500 channels - choking victim

500 channels of a day-dream stimulation
helps me to resent my life and raise my expectations.
Locked into re-runs, your memories repeating,
and all your ideals seem so self defeating.
For you and yours, the pepsi generation,
and when you're discontent, you change the T.V. station,
And when you hate your life, no qualtities redeeming,
a million brainwashed zombies will always be heard screaming...

And when there is no hope,
"I'll smoke some crack, I'll shoot some dope!"
When theres no enemies,
"I sit and stare at my T.V.
and in my ignorance,
I'll be a slave and sycophant!"

:*

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O livro do.. né.

Hoje tive a brilhante idéia de escrever o "livro do.. né".
Vou falar sobre vários assuntos que permeiam a minha existência nesse mundo tão bunitinho e todas as conclusões, frases ou devaneios terminarão com..né! Deixando um universo muito maior para o leitor oportuno.

Exemplo: "Me considero uma pessoa que carrega alguns traumas infantis ao se tratar de...né."

Pretendo ser muito rico, famoso e vender milhões de cópias dessa insurgente obra.
Minha contribuição para a cultura mundial enfim será notada e respeitada, já que...né.

=]

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Quem é que quer, o que eu quero?

Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero

e só.