quinta-feira, 3 de março de 2011

vamo que vamo!


Todos sabem do caos e da insustentabilidade que o automóvel particular carrega. Mas como enxergar para fora das grades e da bolha? A grande mídia apoiará enquanto estiver lucrando, a propaganda continuará sendo linda, o governo continuará incentivando enquanto ficarmos calados.

Nós sabemos dos exemplos de outros países, nós nem precis...aríamos olhar para fora se não fôssemos tão explorados aqui por esse circo montado em que se despreza o ser humano e a cidade humana. Infelizmente, nós fazemos parte desse mundo que criou o consumo vazio, a competição sem ganhadores, a luta por afirmação do indivíduo, sem usar valores.

Porém, ainda há sonhadores e não me envergonho nem um pouco de me colocar aqui. Eu não quero as coisas só para mim, eu não aprendi a ser sozinho. Nós precisamos uns dos outros. E; se você já se deu o trabalho de pensar num tipo de sociedade menos idiota, você sabe que precisaremos nos respeitar verdadeiramente.

Destrua seu egoísmo. Entre na luta.

Viva a bicicleta.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Um discurso em um sonho.

Me preocupava em sair logo, mas estava em um carro e outras muitas pessoas também. Todos estavam com pressa, existe apenas uma estrada e eu achava que existia atalhos. Eu os pegava e voltava para onde não queria. Me preocupava com o dinheiro, com a gasolina, mas o que realmente me incomodava era o tempo passando e os objetivos não sendo cumpridos. A viagem seguiu e na 'serra da esperança' me encontrei preso por um congestionamento gigante. Ali não era nada simples, as pessoas pareciam estar vivendo nesse 'não-lugar'. Um caminhoneiro no alto estacionou sua carreta e abriu uma faixa com algumas palavras de protesto. Helicópteros sobrevoavam a área e a mídia pedia calma, mas ao mesmo tempo fui entendendo as entrelinhas do discurso: 'não é hora da revolução, sejam sempre os mesmos covardes'. Ao entender isso, observei algumas pessoas pelos olhos, queria saber se estava sozinho. Eu enxergava olhares desalentadores e escutava uma mulher numa parte alta com um microfone na mão, até então, a mesma coisa de sempre, mas aí foi projetado uma foto minha morrendo. Lá estava eu sendo alvejado por um tiro na nuca e as palavras sobre isso não eram mais claras. Subi e exigi o microfone, tive resistência e um amigo meu que estava pelado na multidão gritou algumas palavras lucidas e me entregaram o poder da palavra por um minuto. Primeiro, não admiti minha morte, disse à todos que a bala saiu da minha cabeça e que estou aqui, sim, sou eu mesmo respirando até não sei quando e então, fabulare necesse est: - “Não façam de tudo isso uma reflexão rasa, sem conseqüências positivas para nós todxs. Estamos aqui e não gostaríamos. Temos censuras, temos animosidades e tudo precisa ser resolvido. É hora de desligar a televisão e conversar com os amigos, com os vizinhos. De minha parte, o senhor do caminhão tem toda razão, lutemos por nossos direitos, por nossas liberdades. Não é hora de ficarmos presos à padrões e querer agradar o chefe ou procurar 'vencer na vida'. Vejam como tudo nos aprisiona e...”. E aí eu senti meus olhos abertos e um calor no corpo. Minha segunda morte foi acordar e não terminar de organizar alguma coisa com todos, mas nesses minutos que escrevo aqui, me sinto vivo, pois quero tanto compartilhar qualquer coisa que leve mais alguém à gritar algo lucido na multidão, algo que signifique outra forma de viver que... Bom, começar o dia escrevendo me deixa com um sorriso verdadeiro, não aqueles de ontem na ceia de natal.


Chega de repetir, chega de tradição.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gisnei Lendia


Minha primeira banda, Punk/Hardcore.

Gisnei Lendia. Demo 2003.
01. Emo escrito na testa.
02. Escolha.
03. Idolos Pop.
04. Gisele Bintin.
05. Pator riquinho.
06. Todos estão olhando.
07. Novos Políticos.
08. Aproveite o show.
09. Vazio.


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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Needles & Pins



I saw her today

I saw her face
It was a face I love
And I knew I had to run away
And get down on my knees and pray
That they go away
Still it begins
Needles and pins
Because of all my pride
The tears I gotta hide
Oh I thought I was smart
I stole her heart
Didn't think I'd do But now I see
She's worse to him than me
Let her go ahead
Take his love instead
And one day she will see just how to say please.

base!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

de quem vê, e quase sente.

je me place dans la position de l'observateur qui, d'un point surélevé domine toute la scène.

Já é passado de uma da manhã, faz quase duas horas que o sono fez questão de prevalecer em seu corpo, mas, mesmo com todo o poder lhe concedido, o tratou com desprezo. Ele se bate na grande cama, procura uma posição confiável para o descanso, pois sabe que o amanhecer vem à sua janela como veio nas horas anteriores ao sono o imprevisto, mas conveniente encontro. O que ia se construindo e acomodando-se lentamente no merecido descanso, agora sofre um espasmo repentino. O cachorro late como nunca tinha feito antes, ninguém entende a agonia presente, as únicas pistas se revelarão junto ao sol. De toda forma, alguma agitação toma conta, e nem mesmo um observador conseguiria adentrar à uma mente entregue à inquietação, por isso tudo se deve aos detalhes para compreendermos:


O corpo pára e se concentra nos latidos, enquanto mil possibilidades são processadas. Mas o cão também cansa, a noite ainda é grande para aproveitar o sentido do descanso. Não fosse o estrondo vindo da rua, teria chance ele de ignorar o que parecia prenunciado. O barulho não veio só, seguiu-se um clarão já observado prontamente pelos olhos que despertaram e sentiam-se aplicados em fazer parte de fatos maiores que apenas um colchão e uma vontade. Ao se voltarem para o externo, os olhos perceberam a escuridão que ganhava alguns brilhos com faróis de automóveis, e, ao mesmo tempo, os olhos pediram algumas linhas e o corpo se fez em palavras. De súbito, as mãos alcançaram o livro na cabeceira e o que estava por vir, surpreendeu até mesmo os fios de cabelo já bagunçados pela movediça dança em busca do sono real:

Página 27, Eduardo Galeano, “Mulheres”.

A Noite/1

Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.


Quando o corpo paralisou, a mente logo se impôs como a verdadeira força da cena. Sabia-se que a ultima semana não tinha levado embora toda a ansiedade vivida. As poucas palavras do texto fizeram um efeito estranho, esquivo, pela não habitualidade da situação. Por que as personagens vêm e vão? Bom, não foi difícil descobrir. Mas por que ele sente-se maduro ao desejar uma em especial? ...

Lamentou por oportunidades perdidas de ao menos fortificar a aproximação da incógnita. Ela não podia, tinha seus problemas e seus horários de sono não chegavam a um acordo. Nada deu muito certo, a ansiedade havia ganhado e nesse momento ela se pronunciava, pois, tudo estava em dobro: a velocidade, a intensidade, a crueza e o discernimento dos pensamentos se embaralhavam. Quisera o corpo que esse embaralho se fizesse como na mão de um mágico e ali surgisse a carta esperada para a próxima jogada. Mas não, nada parecia muito real, e tampouco fictício. No meio da algazarra, recordou-se de um artigo de uma revista de filosofia que deu nova vida às imagens do filme “Closer”. E aí duvidei uma vez mais se esse homem descoberto e todo torto na cama não acordaria de uma fantasia, apenas. Mas fez um esforço, e aqui de cima, consegui perceber.

Deixou penetrar em sua mente as palavras dela que só pode ouvir pelo telefone e sorriu. Não se iludiu, concentrou-se no que o som da voz representou para ele, e também, não sorriu inocente, já sabia dos problemas. Aplicou então ensinamentos da sua profissão: a história é toda ação do homem sobre o meio em que ele vive, suas ações definem o presente e projetam o futuro. Sim, ele pensou num futuro, porém não sentiu-se forte o suficiente, queria poder mais, queria clarear mais sobre sua única razão de ter perdido um pouco do sono. Sem mais delongas, logo dormiu, mas dormiu sem saber.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

haiti, um post que vai sair logo de moda.


Irritado por fazer algo que não costumo, mas estando aqui em dias em que não posso deixar a tv desligada, (jantando com família) assisti o Jornal Nacional e manchetes de outros da grande mídia. O assunto? Haiti. Tudo parecendo um pouco exagerado, um pouco mascarado e, bom.. tudo aquilo que considero de praxe se tratando de mídia corporativa. Ou seja, notícias produzidas por interesses econômicos, comerciais, etc. Seguindo uma fórmula pronta para produzí-las, um jornalismo que enoja.

Aliás, vale aqui um parênteses, de que muita coisa que está sendo dita tem a ver com o convencimento da opinião publica sobre o papel do exército brasileiro naquele país. Como se fôssemos salvadores e/ou tivéssemos o direito de regulá-los.


Ok, pesquisando um pouquinho, aqui estão textos que, ajudam a melhorar a reflezão, o entendimento e a consciência do que se passa naquele país.

Solidariedade ou oportunidade de negócios?
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/01/462947.shtml

Por que somos contra a ocupação militar do Brasil e da ONU no Haiti?
http://blogdoces.wordpress.com/2010/01/16/por-que-somos-contra-a-ocupacao-militar-do-brasil-e-da-onu-neste-pais/

Artigo histórico de ações estado-unidense no Haiti "Porque os EUA devem milhões para o Haiti."
http://midiaindependente.org/pt/blue/2010/01/463511.shtml

Haiti: Por que a ajuda vem armada? http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/01/463502.shtml

ótimos artigos em inglês:

http://www.democracynow.org/shows/2010/1/19
http://www.democracynow.org/2010/1/20/headlines

Os EUA ainda foram acusados de terem provocado o terremoto a partir de um programa do exército de controle de clima. Nem entrei muito nessa questão, mas se for do interesse, pesquisem por: "Project Microwave Ionosphere Reconfiguration Ground based Emitter, or Mirage" e saibam o que a nova arminha dos EUA pode fazer.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

boo.


Boo † 22/11/09

E uma parte de mim também se vai.

Se vai porque fica difícil imaginar o ambiente que já foi nosso ser só meu. Se vai porque um abraço ou um simples miado me fazia um novo dia.

Nunca sei se o erro foi domesticarmos animais ou o erro foi mantermo-nos ignorantes e não saber tratá-los. Quem sofre são eles, e também, quem sofre são aqueles que se apegaram à eles. Como é difícil, mas como é egoísta esse fim da linha. Estamos e entramos num caminho sem volta, ou com uma passagem muito além do que poderíamos algum dia pagar. E isso que sabemos como pagar! Pois desenvolvemos cartões eletro magnéticos que simples toques e contatos fazem transações para qualquer lado do planeta. Mas não pensamos seriamente em como tratar irmãos humanos ou da espécie que mora ao lado. Leva muito tempo, e verdadeiras culturas, que são interessadas em desenvolvimento da alma e das relações não se pagam com nossos cartões.

A dor de perder um amigo é dura, mas perder para alguém que em sua concepção julgou que dar veneno para o felino morrer seria a coisa certa à se fazer é uma dor que não sara, é uma dor calada e que deixa marcas. Age dessa forma por ele não ser o primeiro, nem o ultimo e, principalmente, por tantos outros em matadouros, fazendas, laboratórios e pet shops que diariamente se desfazem dos olhares mais sinceros que conhecemos para virarem produtos.

Boo, meu gatinho gordo, eterno amigo. Hoje minhas lágrimas vão pra ti, que viveu feliz, que teve oportunidades de ser um pouco gato e que me proporcionou sempre a oportunidade de me sentir mais humano.

Espero que estejas bem.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

chão.




Tá tudo cortado, tá tudo cercado. Não quero um sinal longe, não preciso agora dessa opacidade. Te quero aqui, preciso sentir a essência. Quero chão. Mas não quero pisar, preciso voar em consciencia.

Quem quer uma vida de certezas? Mas quem não organiza as incertezas pela ordem? Recusar-me à participar dessa política talvez não me faça um grande homem. Mais uma vez eu sinto: ordenar para não ser ordenado. Mais uma vez sozinho, uma vez mais ausente.

Me desculpa pelo egoísmo, mas não é certo nenhum fogo agora. Não tenho nada para apagar, e tudo mesmo está sem tinta. Preciso desse chão.