sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
You taught me how start a fire
A distancia criada por essas ruas barulhentas e ocupadas faz-me recordar equivocadamente de sua personalidade.
Perdido em um labirinto - sonhos da realidade - nada é tão ruim com as pessoas diferentes donas do mesmo gosto.
Se há algo queimando no ar, podemos nos olhar e crer que é o fogo que nos fez mover. O meu e o seu: sangue.
Longe agora.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Muito para sentir
A mão toca os ombros e desce devagar até a parte superior do braço. Um leve aperto na pele. Os olhos se levantam e encontram um rosto com traços finos, não tão difíceis de notar frente à maquiagem carregada de halloween. Um instante depois não há dificuldade alguma: o sorriso que acompanha os olhos vívidos tomam a frente de qualquer fantasia e o mundo se fecha nesse pequeno inesperado foco de vida.
As palavras do momento são qualquer coisa, desimportantes. É uma festa, uma festa como outra qualquer; as pessoas se enganam, buscam isso com vontades mais fortes do que para realizações de longo prazo. É normal; você fala besteiras, eu respondo com mais besteiras. Na esperança de desfazer quaisquer embaraços, seguimos um para cada canto dentro do ambiente com poucas luzes. Todxs sabem como é isso.
São minutos que separa um outro momento em que eles se cruzam no corredor e ela olha com insistência aos seus olhos enquanto passa. Um breve sorriso; uma expressão que pede para ser lida, mas que mantém um mistério prolongado. O que pensar, o que fazer em seguida?
A princípio pensou que não fosse nada importante, mas na verdade ficou confuso de imediato: alguns instintos nos tiram do lugar e empurram o corpo para produzir algum movimento. Estava desacostumado a entender com rapidez o que não se espera de uma noite qualquer. Disse a si mesmo poucos dias depois: "Não lembrava-me como era ficar sem graça por causa de um olhar".
A nova conhecida agora tem um nome, mas ela não sabe como o tirou de um lugar onde há tempos queria apenas ter a certeza que poderia sair. Se na festa não houve tempo e possibilidades de acontecer muita coisa, os dias seguintes representaram o que se propôs a chamar de "um pequeno passo".
Para entender o presente, é preciso investigar o passado. Para entender o pequeno passo é preciso expor que dias antes do ocorrido, sonhou - ou interpretou - que estava de bem com o mundo, que tinha deixado mágoas para trás e que não deveria ficar preso ou preocupado em alimentar o desastre que é estar só há tanto tempo.
Refletiu uma ultima vez antes da leve onda passar e quis dizer à ela, como se tratasse de uma velha amiga: "contigo eu pude comprovar, seus olhos verdes me disseram muito do que eu queria sentir".
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Amarrados aos próprios pés
Tantas horas acordado e preocupado com questões e sensações mínimas de alguma espécie de justiça - e agora quem lava o que? quem falou a primeira palavra agressiva? quem olhou e quem interpretou errado primeiro?
- fingindo entender o mundo como uma caixa de consideração que te dá
prêmios quando você faz a coisa certa. Vem então uma noite longa, um
início de sono sereno e um espasmo no meio da madrugada que te faz ver e
escutar o que mais te humilha no mundo: estamos sozinhos num jogo que
vai te destruir e corroer cada esperança que resta.
Então você perde e encara que está perdido, já que não existe o que ganhar. Mas volta para a cama e toma coragem mais uma vez de manter-se sóbrio, numa luta séria em deixar uma sobra de energia para sempre conseguir esquecer e viver na praticidade da boa convivência com ... pouco importa quem. Estamos atrás do sentimento de conseguir sentir-se bem consigo mesmo, sonhando acordado, ou dormindo, ou correndo, ou trepando com a maior competência entregue divinamente à todas as pessoas que habitam esse chão duro: sermos egoístas e morrer por isso, amarrados aos próprios pés.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Nomadismo estável nas contas imprecisas
Inúmeras contas o dia
todo, frações de segundos para decidir, passos contados, minutos
contados, cálculos em outras dimensões, você não se dá conta,
mas atenta para uns mais do que outros. Por isso é assim: um numero
apenas, um modo de conta aprisionado em convenções. Mas quem disse
que somos livres nesse julgamento?
São 30 anos e os dias de
30 são estranhos. Ninguém pode afirmar e ninguém poderia duvidar.
Logo, resolve colocar uma roupa de 30 e, o corpo torna-se 30, a
cabeça é 30, nem menos nem mais - é preciso entregar-se - nas
sensações confusas com os passos que não param, mas te levam à
uma direção: o mercado no começo da noite do sábado.
Alguns
pães, um molho vermelho, algo salgado e logo vê como a janta de 30
poderia ficar. Um hamburguer vegan chique são 15 reais e não 30
reais. A metade está incorreta, o preço não tá de acordo com
míseros anos de industrialização excessiva de uma ideologia parada
na prateleira - onde vai estar o veganismo em 30 anos? Não há tempo
agora pra refletir, você tem números no relógio, tem números na
sua conta, multiplica, diminui e ao mesmo tempo reage ao impulso da
outra forma de levar pra casa aquela coisa escura dentro de uma
embalagem com vácuo. Dá-se conta que não há números suficientes
para segurar nossa liberdade. Há uma luz que chama atrás dessas
câmeras que fazem o ambiente tão matematicamente perfeito para os
patrões. Mas os 30 e a melhor roupa do guarda roupa não te livram
dos seguranças te olhando de canto, seguindo pela loja, apertando o
ramal 03 no rádio preso ao pulso por um cordão de 30 centímetros.
Um homem de bigode, um sapato gasto e visivelmente folgado, as pernas
finas numa calça jeans desbotada e as regras e a obediência
expressas sem variações duvidosas, os olhos sem titubear na crença
do que lhe faz sentido: o trabalho e a moral.
No fim, a idade
não importa tanto, desde criança queremos sentido na vida, um
brinquedo de plástico ou madeira, algo que faça barulho, algo que
nos dê movimentos, qualquer coisa que preencha nosso mundo. Nos
tornamos aquilo que o mundo faz. Crescer é dar novos passos e ter
novas visões. Achar sentido nas coisas torna-se algo mais complexo.
Um mecanismo estatístico de complexidade na busca de um sentido para
estar conformado na vivência: a ausência é calculada, é imposta
pelas compras, o consumo como saída imediata, o espelho como
aparência, a superficialidade, a enganação consentida, novos
dogmas, novo andar, preencher o tempo com novas manias; qualquer
coisa que não nos permita viver sem sentido, pois aqui reside a dor.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Não é só pela pobreza
É melhor não enumerar, nem pensar em uma lista ou relatar com precisão o que os ventos trazem. Você vai, vai para frente, não olha para trás, tropeça; mas enxuga as lágrimas que se misturam ao sangue das pernas.
Talvez mais uma distração, talvez um pouco mais do mesmo, um sentimento de repetição infinito que incrivelmente se conecta às esperanças. Indefinidas esperanças, indefinida dose de não saber o que é que deve-se esperar, mas espera; e procura em pequenos traços de conforto o que a mente já produziu algum dia.
E então fui ler suas ultimas palavras; tu é o abraço favorito, a risada mais escandalosa, as piadas mais preciosas, o sarcasmo mais ácido, a saudade maior ... ou apenas a minha guerra interna de não saber respeitar as partidas? Já não sei; não é solidez, tampouco é ausência ... Até eu ver que fazem já quatro meses que espero o resultado de suas ultimas linhas.
Em oposto, o passo foi para o lado. Nem pra frente, nem pra trás. São lados. Para uns, é mais fácil decidir, é mais fácil deixar morrer e partir. Pouca coisa nesse mundo é sentida da mesma forma. E é verdade, a leveza se dispersa.
Não é só pela pobreza ou desespero.
É com carinho que lembro de ti, Teresa.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Desencanto
Não há muito o que se pensar de sensações que confundem o resultado final. Você não está mais aqui, eu não tenho a mínima vontade de voltar onde estava há pouco, mas... o que foi tudo isso? E porque algumas coisas não se vão?
Não há razões em insistir em perguntas, conhecer e desencontrar-se é um ciclo comum em vida. É incontrolável que os momentos de encontro acabem, mas há uma dificuldade de compreensão quando não há tempo de lidar com a velocidade, intensidade e o peso das coisas. As projeções rodeiam não somente planos viáveis e práticos de futuro próximo, mas também mexem com projeções do que poderíamos ser e deixaríamos de ser.
Não há respostas além do desencanto. É a perda e não a chegada de um novo momento que nos deixa preso. Pode-se visualizar um limbo sem esperanças, mas ao mesmo tempo, apostar em novas sensações. Novos desencantos. "Não é surpresa o produto não cumprir a promessa, pois a vida é assim mesmo e todos nós estamos acostumados ao que é falso."
Não há razões em insistir em perguntas, conhecer e desencontrar-se é um ciclo comum em vida. É incontrolável que os momentos de encontro acabem, mas há uma dificuldade de compreensão quando não há tempo de lidar com a velocidade, intensidade e o peso das coisas. As projeções rodeiam não somente planos viáveis e práticos de futuro próximo, mas também mexem com projeções do que poderíamos ser e deixaríamos de ser.
Não há respostas além do desencanto. É a perda e não a chegada de um novo momento que nos deixa preso. Pode-se visualizar um limbo sem esperanças, mas ao mesmo tempo, apostar em novas sensações. Novos desencantos. "Não é surpresa o produto não cumprir a promessa, pois a vida é assim mesmo e todos nós estamos acostumados ao que é falso."
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Alguma coisa que persiste
- Entenda que há alguma coisa que persiste.
- Do que você fala?
- Falo de um rastro de pólvora que liga o que em cada evento não se deixa disciplinar.
- Onde vamos com isso tudo?
- Todo mundo sabe. É aceito com um ar pesado ou orgulhoso. Tudo isso vai explodir.
- A guerra está dada faz um tempo, não? Esses dias significam a aceitação de que não há bandeira branca leve o suficiente para nossas mãos, não acha?
- Certo. E não é mais tempo para prever desmoronamentos nem para demonstrar felizes possibilidades. Que venham cedo ou tarde, é necessário se preparar.
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