quinta-feira, 17 de abril de 2008

"Comprar por comprar"


Apesar do Seo Madruga ter nos dado a dica, ou melhor, para a sua filha Chiquinha, muitos de nós não aprendemos o que significa "comprar por comprar". Mesmo que nossos pais também em algum momento possam ter dado a "dica" (mesmo soando como advertência ou proibição.[são pais né?!]), continuamos à comprar e a comprar sem saber o significado.

O significado, pra que vai nos sevir, quanto custa de verdade? Essas coisas não são ditas. Propaganda não tem esse papel, propaganda é somente pra vender. - "Ok ok, mas alguém precisa nos mostrar os produtos, para termos o que escolher". Sim, verdade, mas supostamente, se vamos comprar um produto é porque necessitamos dele para algo. Mas... engraçado, você já se deu conta que as mesmas empresas, governos, pessoas, fábricas, etc, que estão vendendo o produto são os mesmos que em algum ponto criaram a necessidade?

E aí eu pergunto, e também me pergunto. Será que não podemos definir por nós mesmos o que necessitamos? Será mesmo tão dificil enxergar de outra forma? Quero dizer, prateleiras podem ser chamativas, limpas e cheirosas, mas você vê pessoas vivendo do seu lixo. Ou seja, todas essas embalagens não são assim tão reais, algo não está certo.

Eu sei que nascemos no meio de outdoors, mergulhados em promoções. Por pouco não nascemos em 12x sem juros com garantia de devolução do pagamento se o produto não fosse o esperado. Mas já que nascemos, podemos pensar como seres humanos sim, e não como "cliente potencial para venda".

Usando Fugazi, talvez fique mais fácil e claro. "Nevermind what´s been selling, it´s what you´re buying". Esqueça o que está sendo vendido, é o que você compra, isso que importa. Se existe felicidade na futilidade, somos fúteis. Esse é o círculo. Mas não precisamos nos manter inseridos nele.

*na foto, a galinha compra na promoção "compre 1 par, leve 2". (retirado daqui: www.cartoonstock.com)

*diálogo chaves:
Chiquinha: - "Pai, me dá dinheiro para eu ir na venda?"
Seo Madruga: - "O que você precisa de lá?"
Chiquinha: - "Eu preciso ir lá pra ver o que eu preciso".
Seo Madruga: "Não minha filha, isso se chama comprar por comprar".

domingo, 16 de março de 2008

pensar em vida

Nós, humanos, vivemos rodeados por outras criaturas aparentemente também humanas. Essa quantidade e aproximação cria tantas coisas inexplicáveis, que seria injusto pedir pra um humano citá-las em vida.

Agora e nas ultimas 30 horas, passo por experiências de pensamentos "inéditos". O que ocasionou foi uma coisa simples, mas funcional. Explico. Alguém abriu a porta de um carro exatamente no momento em que eu passava ali de bicicleta, a porta bateu na minha canela, quebrou o pedal da bicicleta, a bicicleta descontrolou-se e eu achei que eu ia cair de cabeça no chão mas, não sei que movimento estranho fiz que consegui evitar isso e o tombo não foi nada grave. Enfim, minha perna tá ruim, não to podendo andar direito e isso, eu considero no mínimo, chato.

O que eu não consigo classificar com um adjetivo comum é a maneira e a quantidade de pensamentos que tive sobre vida, viver, morrer, sei lá. Assim, antes de tudo, está claro pra mim que não tive nenhuma experiência de "quase morte" ou qualquer outro nome que deêm pra isso. O drama já está explicito em viver, não é necessário nenhum acontecimento extra pra se dizer que "quase morri", ou em outras palavras, melhor cortar o drama, já passou. De qualquer forma, em menos de um segundo, naquela situação, passou muita coisa na minha cabeça; fica a leve impressão de que aquele vazio de coisas aleatórias se fazendo presente como observar um formigueiro é a grande questão de se pensar em vida na morte.

Ou seja, nós não sabemos o que é. E isso faz de nós seres rodeados e solitários.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

contradição ambulante

Ainda não alcancei um 'equilibrio' que me desse a oportunidade de me manter por muito tempo sem o questionamento que vem à minha cabeça."Eu faço sentido?", ou simplesmente vivo como um monte.

Meu gosto é apurado e é transitório. Onde eu me encaixo assim? Se eu não acredito que eu possa gostar de verdade de qualquer coisa, ou de qualquer situação que eu possa viver?
Quando não me desfaço de um luxo, perco coisas. Quando me desfaço, não me sinto preparado. Não sei onde posso mais ganhar, não sei mais onde posso ficar. As descobertas se fazem num plano inatingível, minhas misturas químicas criam um campo que me impede de sair e ver.

"Ele não sabe o que quer da vida!", pra quem me conheceu tão bem, isso deveria soar mais suave. Ainda respondo minhas perguntas, sei de quase tudo num dia bom. Mas só isso não basta, isso não me faz feliz. Na verdade, não é questão de procura, é questão de saber e continuar andando em todas as direções, como se estivesse parado.

*só um dia ruim.
;]

domingo, 13 de janeiro de 2008

mais um canal, menos um indivíduo.



500 channels - choking victim

500 channels of a day-dream stimulation
helps me to resent my life and raise my expectations.
Locked into re-runs, your memories repeating,
and all your ideals seem so self defeating.
For you and yours, the pepsi generation,
and when you're discontent, you change the T.V. station,
And when you hate your life, no qualtities redeeming,
a million brainwashed zombies will always be heard screaming...

And when there is no hope,
"I'll smoke some crack, I'll shoot some dope!"
When theres no enemies,
"I sit and stare at my T.V.
and in my ignorance,
I'll be a slave and sycophant!"

:*

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O livro do.. né.

Hoje tive a brilhante idéia de escrever o "livro do.. né".
Vou falar sobre vários assuntos que permeiam a minha existência nesse mundo tão bunitinho e todas as conclusões, frases ou devaneios terminarão com..né! Deixando um universo muito maior para o leitor oportuno.

Exemplo: "Me considero uma pessoa que carrega alguns traumas infantis ao se tratar de...né."

Pretendo ser muito rico, famoso e vender milhões de cópias dessa insurgente obra.
Minha contribuição para a cultura mundial enfim será notada e respeitada, já que...né.

=]

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Quem é que quer, o que eu quero?

Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero
Eu Quero o Que Eu quero Eu Quero o Que Eu quero

e só.

domingo, 28 de outubro de 2007

Elogio ao ócio.

"Suponhamos que, num dado momento, uma certa quantidade de pessoas está empregada na fabricação de alfinetes. Elas produzem todos os alfinetes que o mundo necessita, trabalhando, digamos, oito horas por dia. Então surge um invento com o qual as mesmas pessoas podem produzir o dobro da quantidade de alfinetes que produziam antes. Mas o mundo não precisa de duas vezes mais alfinetes: eles já são tão baratos que dificilmente se comprarão mais alfinetes por causa da baixa dos preços. Num mundo sensato, todas as pessoas envolvidas na produção de alfinetes passariam a trabalhar quatro horas por dia, em vez de oito, e tudo mais continuaria como antes. Mas, no mundo em que vivemos, isto seria considerado uma desmoralização. Permanece a jornada de oito horas, sobram alfinetes, alguns empregadores vão à falência e metade dos homens antes alocados na fabricação de alfinetes perde seu emprego. No final, a quantidade de lazer é a mesma de antes, porém, enquanto metade das pessoas está totalmente ociosa, a outra metade é submetida ao sobretrabalho. Dessa forma, assegura-se a crença que o inevitável lazer causará a miséria por toda a parte, em vez de ser uma fonte universal de felicidade. Pode-se imaginar coisa mais insana?"

RUSSELL, Bertrand. "O Elogio Ao Ócio" pg.28, 1935.

Talvez em 1935, ele não pudesse mesmo ainda imaginar as "melhores táticas disfarçadas" de produção que viriam depois.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Insônia


De nada vale, escrever por escrever.
Relaxa e expira-se lentamente.
O peso que não aloja-se no pulmão,
Remexe a mente, não toca o coração.

Pelos sonhos que trago sem ver,
Aposto o restante que nunca vem.
Só espero eu, não ser vitimado do amanhecer.

Já traí a noite, já expulsei o ar.
Nenhuma caixa é ligada;
Quem inventara tão fácil entrada?

Cansei dessas cores, escuro não me comove.
A recarga da bateria assusta, volta-se a respirar.