terça-feira, 24 de agosto de 2010

Needles & Pins



I saw her today

I saw her face
It was a face I love
And I knew I had to run away
And get down on my knees and pray
That they go away
Still it begins
Needles and pins
Because of all my pride
The tears I gotta hide
Oh I thought I was smart
I stole her heart
Didn't think I'd do But now I see
She's worse to him than me
Let her go ahead
Take his love instead
And one day she will see just how to say please.

base!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

de quem vê, e quase sente.

je me place dans la position de l'observateur qui, d'un point surélevé domine toute la scène.

Já é passado de uma da manhã, faz quase duas horas que o sono fez questão de prevalecer em seu corpo, mas, mesmo com todo o poder lhe concedido, o tratou com desprezo. Ele se bate na grande cama, procura uma posição confiável para o descanso, pois sabe que o amanhecer vem à sua janela como veio nas horas anteriores ao sono o imprevisto, mas conveniente encontro. O que ia se construindo e acomodando-se lentamente no merecido descanso, agora sofre um espasmo repentino. O cachorro late como nunca tinha feito antes, ninguém entende a agonia presente, as únicas pistas se revelarão junto ao sol. De toda forma, alguma agitação toma conta, e nem mesmo um observador conseguiria adentrar à uma mente entregue à inquietação, por isso tudo se deve aos detalhes para compreendermos:


O corpo pára e se concentra nos latidos, enquanto mil possibilidades são processadas. Mas o cão também cansa, a noite ainda é grande para aproveitar o sentido do descanso. Não fosse o estrondo vindo da rua, teria chance ele de ignorar o que parecia prenunciado. O barulho não veio só, seguiu-se um clarão já observado prontamente pelos olhos que despertaram e sentiam-se aplicados em fazer parte de fatos maiores que apenas um colchão e uma vontade. Ao se voltarem para o externo, os olhos perceberam a escuridão que ganhava alguns brilhos com faróis de automóveis, e, ao mesmo tempo, os olhos pediram algumas linhas e o corpo se fez em palavras. De súbito, as mãos alcançaram o livro na cabeceira e o que estava por vir, surpreendeu até mesmo os fios de cabelo já bagunçados pela movediça dança em busca do sono real:

Página 27, Eduardo Galeano, “Mulheres”.

A Noite/1

Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.


Quando o corpo paralisou, a mente logo se impôs como a verdadeira força da cena. Sabia-se que a ultima semana não tinha levado embora toda a ansiedade vivida. As poucas palavras do texto fizeram um efeito estranho, esquivo, pela não habitualidade da situação. Por que as personagens vêm e vão? Bom, não foi difícil descobrir. Mas por que ele sente-se maduro ao desejar uma em especial? ...

Lamentou por oportunidades perdidas de ao menos fortificar a aproximação da incógnita. Ela não podia, tinha seus problemas e seus horários de sono não chegavam a um acordo. Nada deu muito certo, a ansiedade havia ganhado e nesse momento ela se pronunciava, pois, tudo estava em dobro: a velocidade, a intensidade, a crueza e o discernimento dos pensamentos se embaralhavam. Quisera o corpo que esse embaralho se fizesse como na mão de um mágico e ali surgisse a carta esperada para a próxima jogada. Mas não, nada parecia muito real, e tampouco fictício. No meio da algazarra, recordou-se de um artigo de uma revista de filosofia que deu nova vida às imagens do filme “Closer”. E aí duvidei uma vez mais se esse homem descoberto e todo torto na cama não acordaria de uma fantasia, apenas. Mas fez um esforço, e aqui de cima, consegui perceber.

Deixou penetrar em sua mente as palavras dela que só pode ouvir pelo telefone e sorriu. Não se iludiu, concentrou-se no que o som da voz representou para ele, e também, não sorriu inocente, já sabia dos problemas. Aplicou então ensinamentos da sua profissão: a história é toda ação do homem sobre o meio em que ele vive, suas ações definem o presente e projetam o futuro. Sim, ele pensou num futuro, porém não sentiu-se forte o suficiente, queria poder mais, queria clarear mais sobre sua única razão de ter perdido um pouco do sono. Sem mais delongas, logo dormiu, mas dormiu sem saber.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

haiti, um post que vai sair logo de moda.


Irritado por fazer algo que não costumo, mas estando aqui em dias em que não posso deixar a tv desligada, (jantando com família) assisti o Jornal Nacional e manchetes de outros da grande mídia. O assunto? Haiti. Tudo parecendo um pouco exagerado, um pouco mascarado e, bom.. tudo aquilo que considero de praxe se tratando de mídia corporativa. Ou seja, notícias produzidas por interesses econômicos, comerciais, etc. Seguindo uma fórmula pronta para produzí-las, um jornalismo que enoja.

Aliás, vale aqui um parênteses, de que muita coisa que está sendo dita tem a ver com o convencimento da opinião publica sobre o papel do exército brasileiro naquele país. Como se fôssemos salvadores e/ou tivéssemos o direito de regulá-los.


Ok, pesquisando um pouquinho, aqui estão textos que, ajudam a melhorar a reflezão, o entendimento e a consciência do que se passa naquele país.

Solidariedade ou oportunidade de negócios?
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/01/462947.shtml

Por que somos contra a ocupação militar do Brasil e da ONU no Haiti?
http://blogdoces.wordpress.com/2010/01/16/por-que-somos-contra-a-ocupacao-militar-do-brasil-e-da-onu-neste-pais/

Artigo histórico de ações estado-unidense no Haiti "Porque os EUA devem milhões para o Haiti."
http://midiaindependente.org/pt/blue/2010/01/463511.shtml

Haiti: Por que a ajuda vem armada? http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/01/463502.shtml

ótimos artigos em inglês:

http://www.democracynow.org/shows/2010/1/19
http://www.democracynow.org/2010/1/20/headlines

Os EUA ainda foram acusados de terem provocado o terremoto a partir de um programa do exército de controle de clima. Nem entrei muito nessa questão, mas se for do interesse, pesquisem por: "Project Microwave Ionosphere Reconfiguration Ground based Emitter, or Mirage" e saibam o que a nova arminha dos EUA pode fazer.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

boo.


Boo † 22/11/09

E uma parte de mim também se vai.

Se vai porque fica difícil imaginar o ambiente que já foi nosso ser só meu. Se vai porque um abraço ou um simples miado me fazia um novo dia.

Nunca sei se o erro foi domesticarmos animais ou o erro foi mantermo-nos ignorantes e não saber tratá-los. Quem sofre são eles, e também, quem sofre são aqueles que se apegaram à eles. Como é difícil, mas como é egoísta esse fim da linha. Estamos e entramos num caminho sem volta, ou com uma passagem muito além do que poderíamos algum dia pagar. E isso que sabemos como pagar! Pois desenvolvemos cartões eletro magnéticos que simples toques e contatos fazem transações para qualquer lado do planeta. Mas não pensamos seriamente em como tratar irmãos humanos ou da espécie que mora ao lado. Leva muito tempo, e verdadeiras culturas, que são interessadas em desenvolvimento da alma e das relações não se pagam com nossos cartões.

A dor de perder um amigo é dura, mas perder para alguém que em sua concepção julgou que dar veneno para o felino morrer seria a coisa certa à se fazer é uma dor que não sara, é uma dor calada e que deixa marcas. Age dessa forma por ele não ser o primeiro, nem o ultimo e, principalmente, por tantos outros em matadouros, fazendas, laboratórios e pet shops que diariamente se desfazem dos olhares mais sinceros que conhecemos para virarem produtos.

Boo, meu gatinho gordo, eterno amigo. Hoje minhas lágrimas vão pra ti, que viveu feliz, que teve oportunidades de ser um pouco gato e que me proporcionou sempre a oportunidade de me sentir mais humano.

Espero que estejas bem.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

chão.




Tá tudo cortado, tá tudo cercado. Não quero um sinal longe, não preciso agora dessa opacidade. Te quero aqui, preciso sentir a essência. Quero chão. Mas não quero pisar, preciso voar em consciencia.

Quem quer uma vida de certezas? Mas quem não organiza as incertezas pela ordem? Recusar-me à participar dessa política talvez não me faça um grande homem. Mais uma vez eu sinto: ordenar para não ser ordenado. Mais uma vez sozinho, uma vez mais ausente.

Me desculpa pelo egoísmo, mas não é certo nenhum fogo agora. Não tenho nada para apagar, e tudo mesmo está sem tinta. Preciso desse chão.

terça-feira, 28 de julho de 2009

"O que passou, passou"

Já te coloquei no lixo, já te coloquei no altar, mas você não quer me abandonar. Tudo bem, eu entendi, te disse: já questionei o que senti. Mas a primeira vez ainda está no ar, e olhando essa última, penso: não vai parar. A dificuldade é clara, tu, meu tempo que oras abandona, voltas à assombrar. Experimentei o intervalo, não cheguei à encontrar. Descer pra onde? Estou aqui jás. Mas não posso crer, que para lhe ter, a frase que tão simples é, terei que compreender.


"Tudo bem, nada a reclamar
O tempo tem seu tempo pra passar.
A vida muda, como o vento, a direção
E o que passou não dá mais pra voltar, não."
(Toquinho)



sábado, 4 de julho de 2009

glória é um momento silencioso

*letra da banda Colligere, de curitiba. Eu sinto uma atração estranha por esse som, um estranho bom; e fazendo uma ligação pobre com o próprio texto, me sinto vivo e me realça as sensações e... como é profundo pensar no que músicas fazem. Enfim, chega de balelas, tá aí a letra. E se quiserem ouvir a banda e a música, clica aqui

"E se os olhos começassem a fechar? Cada parte do seu corpo morrendo... Perceber os limites é sentir a existência. Experimentar é a única maneira de estar vivo, ou tudo se resumirá a respirar e ver tudo passar. Quero arranhar sua pele e faze-lo sangrar. Faze-lo sangrar! Você sente no ar a tempestade que se aproxima e a eletricidade lhe traz uma sensação agradável. Alguma coisa vai acontecer. Mas e se tudo acabasse por aqui? Viver é encontrar maneiras diferentes de não morrer - e morrer também é aceitar as condições que não nos deixam viver. O problema é não ter escapado vezes o bastante, como se já estivesse enterrado desde o começo. Sem vontade, seu corpo se torna um instrumento, um objeto que não tem razão para existir além do que vem do sentido dado pela vontade exterior. Sem vontade, seu corpo se torna um instrumento. Todo bem e todo mal residem nas sensações. Nas sensações o espírito se realiza. - experimentando a morte, é a única maneira de viver. - Porque um objeto não deseja."



terça-feira, 16 de junho de 2009

frio e calafrios.

É tão ruim não saber o que se passa dentro de ti mesmo. Dividido entre verdadeiro clima e presente incômodo, nada faz sentido quando me concentro nessa pequena dor.

Tô em épocas de morte, em épocas que nada cura, só há uma continuidade de coisas que vem ao encontro que parecem criar gana para substituir a anterior. Fico estático esperando pela próxima, já que não consigo saber o que realmente está me movendo.

Eu não quero tratar nada que foi ocasionado por um remédio colocando mais um na pilha. Não é de hoje que me irrita pensar que sendo parte da maldita indústria, colocarei um sorriso na cara de um médico infeliz. Mas e agora? Há algo mais? Não, parece-me que eu paro por aqui, o resto das forças deixo para o mundo resolver.

O que é real é a confusão, isso tudo me faz confundir frio e dor, cozinha com banheiro, atividade com fadiga, e não paro de pensar se já não confundi minha vida com outra que cá estou projetando. Quando a claridade é comprometida, tudo se desloca diferente.

Vi hoje cedo o ônibus andando de costas, ninguém mais viu, vi hoje por um momento que inventei não querer ser mais sozinho, mas todos já inventaram, vi dos porquês que estou aqui, mas não admiti as razões. Eu não posso me jogar mais pra baixo, mas preciso parar já com os calafrios.