terça-feira, 22 de setembro de 2009

chão.




Tá tudo cortado, tá tudo cercado. Não quero um sinal longe, não preciso agora dessa opacidade. Te quero aqui, preciso sentir a essência. Quero chão. Mas não quero pisar, preciso voar em consciencia.

Quem quer uma vida de certezas? Mas quem não organiza as incertezas pela ordem? Recusar-me à participar dessa política talvez não me faça um grande homem. Mais uma vez eu sinto: ordenar para não ser ordenado. Mais uma vez sozinho, uma vez mais ausente.

Me desculpa pelo egoísmo, mas não é certo nenhum fogo agora. Não tenho nada para apagar, e tudo mesmo está sem tinta. Preciso desse chão.

terça-feira, 28 de julho de 2009

"O que passou, passou"

Já te coloquei no lixo, já te coloquei no altar, mas você não quer me abandonar. Tudo bem, eu entendi, te disse: já questionei o que senti. Mas a primeira vez ainda está no ar, e olhando essa última, penso: não vai parar. A dificuldade é clara, tu, meu tempo que oras abandona, voltas à assombrar. Experimentei o intervalo, não cheguei à encontrar. Descer pra onde? Estou aqui jás. Mas não posso crer, que para lhe ter, a frase que tão simples é, terei que compreender.


"Tudo bem, nada a reclamar
O tempo tem seu tempo pra passar.
A vida muda, como o vento, a direção
E o que passou não dá mais pra voltar, não."
(Toquinho)



sábado, 4 de julho de 2009

glória é um momento silencioso

*letra da banda Colligere, de curitiba. Eu sinto uma atração estranha por esse som, um estranho bom; e fazendo uma ligação pobre com o próprio texto, me sinto vivo e me realça as sensações e... como é profundo pensar no que músicas fazem. Enfim, chega de balelas, tá aí a letra. E se quiserem ouvir a banda e a música, clica aqui

"E se os olhos começassem a fechar? Cada parte do seu corpo morrendo... Perceber os limites é sentir a existência. Experimentar é a única maneira de estar vivo, ou tudo se resumirá a respirar e ver tudo passar. Quero arranhar sua pele e faze-lo sangrar. Faze-lo sangrar! Você sente no ar a tempestade que se aproxima e a eletricidade lhe traz uma sensação agradável. Alguma coisa vai acontecer. Mas e se tudo acabasse por aqui? Viver é encontrar maneiras diferentes de não morrer - e morrer também é aceitar as condições que não nos deixam viver. O problema é não ter escapado vezes o bastante, como se já estivesse enterrado desde o começo. Sem vontade, seu corpo se torna um instrumento, um objeto que não tem razão para existir além do que vem do sentido dado pela vontade exterior. Sem vontade, seu corpo se torna um instrumento. Todo bem e todo mal residem nas sensações. Nas sensações o espírito se realiza. - experimentando a morte, é a única maneira de viver. - Porque um objeto não deseja."



terça-feira, 16 de junho de 2009

frio e calafrios.

É tão ruim não saber o que se passa dentro de ti mesmo. Dividido entre verdadeiro clima e presente incômodo, nada faz sentido quando me concentro nessa pequena dor.

Tô em épocas de morte, em épocas que nada cura, só há uma continuidade de coisas que vem ao encontro que parecem criar gana para substituir a anterior. Fico estático esperando pela próxima, já que não consigo saber o que realmente está me movendo.

Eu não quero tratar nada que foi ocasionado por um remédio colocando mais um na pilha. Não é de hoje que me irrita pensar que sendo parte da maldita indústria, colocarei um sorriso na cara de um médico infeliz. Mas e agora? Há algo mais? Não, parece-me que eu paro por aqui, o resto das forças deixo para o mundo resolver.

O que é real é a confusão, isso tudo me faz confundir frio e dor, cozinha com banheiro, atividade com fadiga, e não paro de pensar se já não confundi minha vida com outra que cá estou projetando. Quando a claridade é comprometida, tudo se desloca diferente.

Vi hoje cedo o ônibus andando de costas, ninguém mais viu, vi hoje por um momento que inventei não querer ser mais sozinho, mas todos já inventaram, vi dos porquês que estou aqui, mas não admiti as razões. Eu não posso me jogar mais pra baixo, mas preciso parar já com os calafrios.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Dito e feito.

Tags: acidente, bike, bicicleta, próximo praça tiradentes, rua riachuelo, semáforo, pedestre distraído, sete da manhã, frio, curitiba, dezoito de maio, 2009.

Continuando a série, "posts para o futuro" (eu fiz isso?), aqui vai um para você, (quando um dia resolver pesquisar num blog sobre o fato, algo totalmente plausível de acontecer) transeunte desconhecido, que até agora não sei como não me viu ontem descendo a rua de bicicleta, sendo que tinha mais cinco pessoas junto contigo e todas elas pararam num lugar seguro e você foi o campeão que pulou bem na minha frente.

Mas muito bem, esse post é pra dizer: esqueça as palavras que eu disse após ter me levantado do tão confortável asfalto e as troque por: "E aí cara, você se machucou?"

Ok, sem ressentimentos. Por hoje é só.

p.s: Quero mandar um salve pro professor de Biologia aqui do colégio, Rodolfo, que alguns dias antes citou gentilmente a "lei de Murphy" numa conversa sobre capacete e eu vir pro colégio usando-o. É, ontem foi o primeiro dia que não fui de capacete. Valeu professor, um abraço.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vai matar.

Sim, porque esse verbo é só mais um que entra nas partes das consequencias que o próprio ser cria quando os fins (in) justificam os meios. Poder e uma espécie de soberania rondam os atos daqueles que as desfrutam. Uma elite política não é diferente de uma elite que controla outros poderes. Sim?

Ok, em panos limpos, falo do caso do acidente do filho do prefeito de minha cidade natal. Dessa vez, temos uma cena que tomou conta de noticiários locais e mais, o que considero mais importante, está em todas as rodas de conversas. Claro, isso na minha visão e no meu caminho, mas juro que fiquei impressionado que em um dia de idas pra lá e pra cá, só escutei conversas sobre isso.

A pergunta é: Será que vamos assistir ao indivíduo sair impune e abalo algum teremos num campo maior, o político? Ou será uma oportunidade para abrir uma caixa suja dos Ribas Carlis e consequentemente dar vida à revoltas? Se sim em qualquer dos casos, quem os fará? Quem vai se aproveitar da situação? Quanto de dinheiro vai passar por aí? Quais tramóias serão envolvidas? Acho que ninguém ao certo tem pistas, ainda.

Acho que esse post vai servir de uma caixinha perdida no tempo. Um dia volto aqui e leio de volta. Só espero que não fique tão decepcionado, mais uma vez. Algum palpite?


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Apenas uma imagem estranha

Não sei se presentir coisas é uma arte, um dom ou... na verdade, nem sei se posso afirmar que as pessoas, de fato, presentem acontecimentos.

Comigo é simples: se num determinado periodo de tempo eu começo à notar que minhas respostas aos "tudo bem com você?" começam a repetir com uma afirmação entusiasta, já posso presentir que logo o vento vai virar. Se eu começar então à soltar nas respostas que "ando feliz", aí então nem é mais presentimento. Sei que logo tudo vai abaixo.

Tais ciclos não são de todo mau, acho que tudo acaba servindo como aprendizado (ou não?). Aliás, fato é, que imagino que situações similares aconteçam com todo mundo, o que muda é apenas a interpretação de cada indivíduo.

Pessoalmente, o que acho ruim dessa coisa toda é que mesmo dedicando um tempo à reflexões, as coisas vem sempre de uma forma diferente e aí não sei se estou preparado para enfrentá-las, ou melhor, nem sei se quero ou se consigo.

Dessa vez tá tudo muito rápido, tudo muito longe. Não é só sair de casa e encontrar todo mundo. São muitos kilometros pra lá e pra cá. Eu não consigo nem saber quem é que me esperaria para uma conversa franca, ou mesmo se eu conseguiria ser totalmente franco.

A imagem estranha que vi ao deitar foi eu pisando em um quebra-cabeças e algumas peças iam afundando com meus passos numa água que ainda está limpa. As peças tinham imagens de rostos que não me são estranhos e lá embaixo eles se davam as mãos, mas ao afundar... elas se soltavam.

Penso que velocidade tem duas faces: a primeira é que, tendo um vento tão forte batendo em seu rosto, poucas coisas se prenderão à você; a segunda é que, tendo tantos destinos vindos depressa ao seu encontro, você irá guardar lembranças demais para lidar depois.

O coração precisa ser forte quando as pernas se sentem fracas.


Operários - Tarcila do Amaral

segunda-feira, 16 de março de 2009

duas partes

parte 01

Nada me acontece sem toques, está mesmo tudo  ligado. Mais estranho que um escape de palavras cortantes é notar ao redor o que lhe consome. Eu sei ansiedade, é você de volta e em voltas. 

Quando no primeiro emaranhado você se fez presente, eu poderia ter já previsto o depois, mas o apagar das luzes só abre precipícios entre um quase real e a mera ficção. Na estrada tudo se mistura, uma falha boba e um arrependimento real, algo como seria os doces e salgados temperados por aquele veneno com gás. 

Nada que entope pode um uísque curar; sim, Johnny pedia para me levantar e andar, quando tudo que estava ao meu alcance era sentar-me na natureza da passividade. Era o Rotten. 

Se o olhar compensa? Não sei, é difícil dar um palpite quando duas décadas te separam. Em ambas você é linda, e em ambas eu estou bobo. Egoísta sim, mas as linhas surgem apenas algumas horas depois, sabe? Então, o que esperar?

Eu só queria o que os toques me proporcionaram da primeira vez, um encontro de marés que pareciam distantes e que.. eu, de toda forma, pude sentir.

parte 02

Como é sentir-se em casa? Está claro. Não há TV, banheiro, quarto, colchão ou cheiro que me convença. São apenas pessoas, são elas que me fazem viver. Aprendo cada dia mais sobre a palavra "simples", vejo que aqui mora a complexidade que desabrocha na maior beleza que meus olhos, de fato, vêem. 

Eu nasci junto com minhas próprias críticas, penso: se há tanta desgraça e quem as causa somos nós, porque então fico imerso como um sonhador? Bom, dane-se qualquer repetição gramatical, está claro novamente, isto é por vocês, pessoas.

Vocês que me põem pra dormir e me acordam; me conduzem por ruas novas e me buscam à qualquer horário. Vocês que se importam com minha saúde e com meus planos. Só não digo que me sinto como um rei, porque qualquer rei é tolo, ele não pode saber como é sentir-se igual e nem pode abraçar os personagens. Não há lugares como nossas casas.